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PEDRO NEVES

NEW!!

Murmuration

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"Desde a sua estreia, em 2013 com “Ausente”, e depois com a confirmação definitiva do disco “05:21” em 2016, que o pianista Pedro Neves já não deveria ser segredo para ninguém. Para quem não conheça o seu trabalho, poderá começar por este novo disco, “Murmuration”, o seu terceiro em nome próprio. O piano de Neves conta com a companhia de Miguel Ângelo no contrabaixo e Leandro Leonet na bateria, parceiros desde o primeiro disco, esteios fundamentais de uma música que, assente na tradição, sabe encontrar desvios para brilhar. Música impecavelmente emotiva e elegante, conduzida pelo piano gracioso e bem apoiada por contrabaixo e bateria. Poderá continuar a passar ao lado da maior parte das grandes salas e festivais, mas aqui temos alguma da mais bela e delicada música jazz feita em Portugal."

Nuno Catarino

"O problema do formato “piano jazz trio” é parecer que tudo já foi dito e desdito relativamente à combinação de um piano, um contrabaixo e uma bateria. No caso do Pedro Neves Trio esse condicionalismo não se deixa facilitar, dado que o pianista líder e os seus parceiros de grupo, Miguel Ângelo no contrabaixo e Leandro Leonet na bateria, se colocam na esteira da tradição. O risco era óbvio: reproduzir mais do mesmo, numa indiferenciação que diluiria quaisquer virtudes do projecto entre mil outros trios de piano que há no mundo. E, no entanto, assim não acontece. É verdade que a cada tema nos sentimos em terreno familiar, mas a música que acontece é fresca e tem uma identidade própria. Esta capacidade para fazer outra coisa dentro de padrões muito definidos é, à partida, admirável. Quando julgávamos que a peneira já nada mais tem para oferecer, eis que alguém encontra umas pepitas na areia.

Com uma escrita elegante e definida pela sua formação clássica, Pedro Neves propõe-nos em “Murmuration” uma música que é introspectiva mesmo nos momentos em que o embalo rítmico nos agita (“Fuga”), logo de seguida construindo um poema todo ele feito de melancolia (“Sonâmbulo”). Este carácter “moody” não é novo no jazz, mas ouvimo-lo como se fosse. Em “Sem Rumo” e “Fluxo” pressentimos alguma influência do Sassetti dos últimos anos, mas mais uma vez essa referência não é passiva. Neves continua o caminho que estava aberto, inventando um chão de consequências e possibilidades. E percebe que o que interessa realmente não é a proficiência técnica (nesse aspecto o jazz nacional está muito bem servido), mas ter algo de importante a acrescentar. Este disco acrescenta, num meio em que demasiadas vezes nada se adiciona ao que ficou para trás. E fá-lo afirmativamente, sem medos, mas também sem especiais “statements”, numa atitude em que a música importa mais do que o ego. O tema “Horizonte” é isso: ter a percepção do longe e de que este já lá estava antes de o contemplarmos e esticarmos um braço na sua direcção.

Rui Eduardo Paes in "jazz.pt"

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